domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ao professor com carinho



“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente.”
Carlos Drummond de Andrade


Este pensamento é fabuloso, pois é isso mesmo que acontecesse, quando está chegando o final do ano todo mundo fica contando os dias para que ele acabe para que depois venha um ano novo e diferente do anterior. Parece que acontece uma mágica do dia 31 de dezembro para o dia 01 de janeiro, pois a nossa esperança de dias melhores, mais felizes estão chegando e que também os nossos sonhos estão mais próximos de serem realizados.

Chegamos ao final de mais um ano e é nesse momento que devemos pensar sobre tudo que fizemos ou deixamos de fazer. Para mim este ano trouxe muitos ensinamentos, sinto que cresci como profissional e também no pessoal. Cada um de vocês contribuiu para que isso acontecesse e por merecem o meu apreço.

A cada encontro pude trazer um pouco do que aprendi nesses quatro anos de prática enquanto professora, sei que poderia ter feito mais e melhor, mais podem ter certeza que procurei todos os meios que estavam ao meu alcance para ajudar-los a amenizar as dificuldades encontradas no dia a dia escolar. Peço desculpas aqueles que não consegui dar o devido atendimento, e saibam que sempre me culpo por isso. Agradeço também aqueles que sempre me pediram ajuda, pois foi a partir disso que busquei me aperfeiçoar para ajuda-los, e aprendi muito com isso.

Apesar de gostar muito de desempenhar esta função, senti muita falta de uma sala de aula, de planejar e colocar ideias em prática com os meus alunos. O momento que mais senti falta foi no dia dos professores onde sempre recebia muitos bilhetes e cartas, pois as crianças não sabem disfarçar o que sentem, quando gostam demonstram. A falta de ter alunos só não foi maior porque os alunos de todos vocês eu também sentia que eram um pouco meus também. É esse é o motivo do trabalho da orientação ser muito complexo, pois me preocupava com todos eles e não com uma só turma.

Espero que possa ter contribuído pelo menos um pouco para a formação profissional de vocês e aquele que não se sente bem com esta profissão, pense bem, pois ela deve ter paixão de ensinar e aprender, não se é professor somente na sala de aula. Não deve ser professor aquele que não busca o aperfeiçoamento por meio da pesquisa, aquele que não tem a casa cheia de livros e quando esta planejando tudo parece uma bagunça, aquele que não vai para a escola carregado de livros ou sem ideias na cabeça, aquele que não planeja a sua aula e confia no improviso, aquele que só trabalha por um salário e quando ele não vem corretamente desconta nos alunos. Por isso seja sincero com vocês e respondam a essa pergunta: Por que eu decidi ser professor (a)? Eu não me via nessa profissão, cai de pára-quedas, mas agradeço a Deus por isso, pois nela eu me realizo, apesar de seus altos e baixos é muito bom ver quando a gente conseguiu fazer uma criança aprender algo.

Para refletirmos sobre o nosso papel enquanto educadores, relato-lhes uma história que li há algum tempo atrás. Duas garotinhas de dez anos de idade conversam sobre o que querem da vida. A primeira orgulhosa, nem pensa duas vezes: Quero ser médica! A segunda diz e eu quero ser professora! Só isso retrucou a menina, com certa arrogância. A amiga nem se abalou: E você acha que vai se tornar médica como? Tendo um monte de professores. Oras.

Este diálogo simples, mas que se repete entre milhares de crianças todos os dias, revela aquilo que estamos acostumados a sentir na própria pele: o descaso com o oficio do professor, que hoje possui uma imagem bastante desgastada por causa das varias transformações que ocorreram na educação e em outros segmentos da sociedade, como a família e a religião. Todas essas transformações deixam o papel do professor ainda mais difícil, pois esta profissão não tem o seu devido valor reconhecido.

Devemos sempre homenagear este profissional o qual chamamos de mestre e dizer-lhe que o seu papel é imprescindível para melhorar a sociedade em que vivemos. Essa mudança não será instantânea e não depende só dele, mas ao fazer a sua parte, já é um passo a mais nessa luta cheia de pressões e tensões.

Fechem os olhos e pensem como gostariam de ser lembrados pelos seus alunos daqui a alguns anos? A lembrança – se existir – será positiva ou negativa? Ao refletir sobre essas questões imagine como será o seu futuro profissional e como estarão os seus alunos? Será que os ensinamentos serão importantes para sua vida futura? Não digo somente “conteúdos”, mas também o ensino de atitudes e posturas perante a sociedade.
Não devemos ensinar o faça o que eu digo, não faça o que o faço, pois se ensina pelo exemplo, se o aluno vê uma escola onde seus funcionários trabalham frustrados, com raiva uns dos outros como eles irão criar hábitos de amizade com os colegas. Devemos ser éticos com nossas palavras e com as nossas ações, pois um simples olhar às vezes transmite mais que varias palavras pronunciadas.

Apesar de todas as dificuldades que encontramos vamos tentar fazer o melhor, buscar os momentos bons que existem na nossa profissão. E como dizia Fernando Pessoa: Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Então aos professores de almas enormes, aqui vai o meu muito obrigado por nos ensinar a viver.

Vamos agora volta as nossas atividades educativas.
Bom ano letivo para todos.
Sucesso!!!!!

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