quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Olhares


Algo que sempre me impressionou foi a temática sobre o olhar e a visão. Isso é algo que me fascina e foi por isso que utilizei este tema para concluir a minha faculdade. Fiz um artigo sobre o olhar cujo o tema era O olhar em Florbela Espanca:Angústia e serenidade. Aqui está uma pequena amostra:

A poesia de Florbela é marcada por uma constante incompletude e pela procura do amor absoluto. Isso coloca o eu-lírico, assumidamente feminino, como uma espécie de “escrava louca”, condenada a passar a vida envolvida nesta procura. A obsessão em encontrar o objeto de desejo torna-se uma justificativa para a própria existência. Essa situação pode ser vista de forma intensa nas palavras do eu-lírico, pois é ele “o seduzido que se expressa na poesia, na literatura” (KEHL, 2006, p. 411).
A troca de olhares é representada como forma de expressão de sentimentos existenciais vivenciados, uma vez que o olhar sintetiza e revela os estados e os movimentos da alma: “Os olhos são indiscretos; / Revelam tudo que sentem, / Podem mentir os teus lábios, / Os olhos, esses, não mentem”. (ESPANCA, 1996, p. 32).

O olhar é muito mais do que uma função fisiológica, é uma linguagem forte e carregada de sentido que provoca alterações decisivas na vida. Por isso, a importância atribuída ao olhar do outro é muito presente nos versos da autora. Em poemas a exemplo de Súplica (II), As Quadras dele (I), e Desdém, apresenta o olhar como “janela da alma e espelho do mundo ”. Ele se torna meio pelo qual o eu-lírico percebe os sentimentos do outro, e a partir das experiências visuais, surgem os estados de angústia ou/e serenidade. Vê-se o poema Súplica (II):


Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.

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