Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
(Paulo Leminski)
Tem momentos que a vontade de escrever parece criar asas dentro de mim e é capaz de relatar coisas que nem eu mesma tenho consciência. Sinto que ao me deixar levar por essa vontade, depois posso dormir tranquila sabendo que pude desabafar as minhas inquietações com alguém. Apesar de não saber quem será esse alguém e se terá mesmo alguém que pare um minuto da sua humilde vida para se dedicar a ler as bobagens aqui escritas por mim.
Só sei que me sinto bem, ao declarar que sou complexa e que quanto mais tento me decifrar mas prendo-me nas amarras que busco quebrar. Vivo em um presente, mas não sei porque sempre acabo voltando ao passado e trazendo de lá fantasmas e coisas mal resolvidas. Sei o motivo que me leva a fazer esse retrocesso é justamente o fato de não ter colocado o tão famoso PONTO FINAL em minhas histórias. Creio não finaliza-las porque elas não me fizeram mal, mas sim muitos motivos para aprender. Além de voltar ao passado, também consigo complicar o meu presente a partir da criação de inúmeras hipóteses.
Oh! Como é ruim ter a mente fértil, que voa tão longe... Ela vai até Paris. Ela cria situações que parecem surreais aos olhos da maioria dos mortais. Queria tanto que ela fosse menos criativa, mais calma, paciente, mas ela não me obedece. Sinto que minto, pois, na verdade não queria que a minha mente foi mais reprimida. Queria que o resto do meu ser fosse tão evoluído quanto ela, para realizar tudo que imagino. Sigo assim... felizmente incompleta...
